Comissão de seleção

Adélia Sampaio de nome artístico, cineasta brasileira e a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil com a sua Longa metragem Amor Maldito que foi lançado em 1984 e enfrentou várias barreiras para chegar à tela, viveu o dilema de muitas mulheres “Como cuidar de dois meninos, exercitar o cinema e ainda trabalhar para ganhar dinheiro?” Mas desistir jamais foi um plano. Refere que “O cinema é elitista. Chega uma preta, filha de empregada doméstica e quer fazer filmes? Claro que foi difícil”, desabafa. Foi maquiadora, câmara, montadora e produtora, passou por quase todas as funções dentro de um set de cinema, em mais de 70 produções, até chegar à direção. Foi eleita a rainha da pesada, conta Adélia, que deixava os diretores irritados quando pedia para entregar os roteiros também para o eletricista, maquinista e assistente de câmara nos sets. Enriqueceu a sua cultura cinematográfica com diversos Registros Profissionais como Repórter Cinematográfica - 15260; como Diretora de Produção - 043; como - Diretora artística-113; como Produtora Teatral -14943 e no Registro na SBAT 1377.

António Ole nasceu em Luanda, Angola, em 1951. Artista Plástico, fotógrafo e realizador. Estudou Cultura Afro-Americana e Cinema na UCLA (University of California, Los Angeles) e tem desenvolvido ao longo de cinco décadas um trabalho eclético passando pelo desenho, pintura, colagem, escultura, instalação, fotografia, vídeo e cinema. Inspira-se na arte tradicional como estímulo para desenvolver um discurso contemporâneo adequado ao seu tempo e circunstância. Os elementos no seu trabalho evocam o período colonial, a escravidão, a guerra, a destruição, a pobreza, a natureza humana, a capacidade de resistir e sobreviver. Da sua obra destacam-se O Ritmo do N'Gola Ritmos, No Caminho das Estrelas e Carnaval da Vitória.

Flora Gomes, pioneiro do cinema local e um dos mais representativos cineastas africanos. Nascido em Cadique, na República da Guiné-Bissau, Florentino Flora Gomes fez os seus estudos cinematográficos no ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica) em Cuba e no Senegal sob direcção de Paulin Soumanou Vieyra, um dos fundadores de Cinema africano. De seguida trabalhou como repórter ligado ao Ministério de Informação da Guiné-Bissau depois da Independência. Em 1987 consegue finalmente realizar o seu primeiro filme - "Mortu Nega" - que conta o percurso da Guiné-Bissau para a independência. A obra foi muito bem recebida em festivais internacionais. Flora Gomes rompia o anonimato e concentrava sobre este seu primeiro trabalho as atenções da crítica internacional. Foi condecorado em França com Ordem de Cavaleiro das Artes e Letras em 1996. Apesar das dificuldades quotidianas, Flora Gomes continua a viver na Guiné-Bissau, o seu país.

Leão Lopes, nasceu na Ribeira Grande, Cabo Verde em 1948. Cineasta, Artista Plástico e docente/fundador do M_EIA, Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura, é doutorado em Letras pela Universidade de Rennes II, França. Tem participado ao longo dos anos na promoção do ensino artístico em Cabo Verde, como autor de programas e planos curriculares do ensino secundário e superior. A sua atividade estende-se à conceção e coordenação de programas de desenvolvimento de comunidades rurais, nomeadamente na ilha de Santo Antão, como membro e Presidente da ONG Atelier Mar. No âmbito desta ONG tem dedicado muito dos seus trabalhos de investigação aplicada ao sector da arquitectura, ao estudo e aplicação de matérias primas locais, bem como de novas soluções construtivas para a habitação. Nos últimos anos também se tem dedicado à escrita (ensaio e ficção) e ao cinema, tendo já assinado alguns trabalhos no domínio da ficção e do documentário. O filme ILHÉU, é um marco no seu percurso profissional.

Leonor Silveira, nasceu em Lisboa, é actriz, estudou no Lycée Français Charles Lepierre e licenciou-se em Relações Internacionais, na Universidade Lusíada de Lisboa (1995). Tornou-se actriz pela mão de Manoel de Oliveira, convertendo-se num verdadeiro ícone na cinematografia do mestre. Estreou-se ao lado de Luís Miguel Cintra em Os Canibais (1988), após o que participou, sucessivamente, em A Divina Comédia (1991), Viagem ao Princípio do Mundo (1997), Party (1996), O Convento (1995), Inquietude (1998), A Carta (1999), Palavra e Utopia (2000), O Princípio da Incerteza (2001) ou Um Filme Falado (2003). Serão, porventura, Vale Abraão (1993), adaptação feita por Agustina Bessa-Luís, do romance Madame Bovary de Flaubert, e Espelho Mágico (2006), a partir de A Alma dos Ricos, também de Agustina, as suas interpretações mais significativas. Participou ainda em filmes de João Botelho, Joaquim Pinto, Luís Galvão Teles, Vicente Jorge Silva. Desempenhou funções de assessoria no Ministério da Cultura, quando este era dirigido por Manuel Maria Carrilho (1997-2000) e, posteriormente, foi nomeada Vice-Presidente do ICAM - Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia (ao qual pertence desde 2000), de 2005 a 2007, ano em que foi renomeado Instituto do Cinema e Audiovisual e em que foi nomeada subdiretora, tendo sido reconduzida em 2012.